Shadow of the Colossus e Ico - Uma História de Maldições

 


                Shadow of the Colossus é um de meus jogos favoritos. E não devido à experiência do jogo em si, embora derrotar 16 seres gigantescos seja divertido, mas por seus mistérios. Shadow é um jogo vazio: poucos animais no seu extenso território, quase nenhum diálogo, e estruturas colossais cuja origem é desconhecida. Por isso decidi trazer aqui uma das mais populares teorias de Shadow e de sua sequela (embora lançada anteriormente) Ico.

                  Primeiramente, vamos analisar Shadow of the Colossus. No game nós controlámos Wander, um jovem de uma tribo na qual uma bela jovem, Mono, foi sacrificada pelo xamã Emon, pois esta supostamente teria um destino amaldiçoado. No entanto, Wander se apaixona pela jovem, e roubando a espada sagrada de Emon, parte para as chamadas Fobidden Lands (Terras Proibidas, em tradução livre), onde lendas dizem que uma entidade poderia trazer os mortos de volta à vida. 

                  Lá, Wander conhece essa entidade, chamada Dormin, que se comunica a ele com uma voz masculina e uma feminina. Ele dá a Wander a missão de derrotar 16 colossos e, assim, reaver suas 16 partes, antes separadas. Várias especulações foram feitas a respeito da origem de Dormin e dos colossos. Para mim, é bem simples: eles seriam como deuses naquela terra, com Dormin sendo o mais poderoso deles, que habitavam aquele território desde períodos muito anteriores aos eventos que selaram Dormin. Este acabou por abusar de seu povo, e por isso, ancestrais da seita de Emon o repartiram e selaram nos outros colossos com a espada sagrada, de modo que ele não representasse ameaça. Um ponto interessante é que Dormin ao contrário é Nimrod, rei que se rebelou contra DEUS e ergueu a Torre de Babel como uma tentativa de alcançar os Céus. Ambos, como deixarei claro no resto da análise, tem chifres como sua principal marca, além do templo de Dormin também ser uma enorme torre.

                     Após derrotar os colossos, Wander é possuído por Dormin e se torna um monstro de proporções avassaladoras, tal qual os colossos enfrentados, e ataca Emon, sendo derrotado no final. Assim, Mono acorda, como se nada houvesse acontecido, e vai até o local de morte de Wander, agora renascido como um bebê cornado. Agora, como raios esse final tem sentido? Calma, para isso, devemos ver outro jogo, Ico, que é considerado uma sequência direta a Shadow cronologicamente.

                      Nunca joguei esse título, no entanto, li o bastante para saber desenvolvê-lo aqui. A história de Ico trata de um garoto de mesmo nome que tem chifres em sua cabeça, e por isso é considerado amaldiçoado; ele é abandonado em um antigo castelo, onde uma mulher, chamada de Rainha, pretende usá-lo para um ritual onde ela passaria sua alma para o corpo de sua filha, Yorda, e assim, conseguir viver por muito mais tempo. Ico salva Yorda e ambos matam a rainha, dando um final feliz para todos. Mas qual a relação dessa história a Shadow of the Colossus?

                      Primeiramente, devemos analisar os chifres do jovem Ico. Lembrando que, após a morte de Wander, que estava possuído por Dormin, ele renasceu com chifres. Isso, basicamente, se tornou uma maldição, com várias crianças nascendo de maneira semelhante; da forma como vejo, seriam reencarnações de Wander, todas amaldiçoadas e levando consigo fragmentos da alma de Dormin. Mas por que eles seriam necessários para o ritual da Rainha? É aqui onde tudo se encaixa! 

                       Veja, Mono tinha um destino amaldiçoado, e por isso ela foi morta. No entanto, ela volta a vida no fim do game, e aparentemente Dormin cumpre sua promessa. Mas isso era apenas uma manipulação do antagonista, que possuiu o corpo da jovem. Desse modo, que acorda no fim do jogo não é Mono, e sim Dormin usando seu corpo; ou, pelo menos, parte dele. Isso porque, como disse, Dormin tem uma faceta masculina e uma feminina, sendo que a faceta feminina possuí Mono ao fim do game. Quanto a faceta masculina, foi essa que possuiu Wander e que, após esse renascer, se fundiu à alma do garoto, deixando de ser uma entidade pensante e passando as ser apenas uma maldição. Desse modo, para concluir um ritual de passagem de alma, seria necessário a parte que estava fundida à de Wander.

                       Para finalizar a teoria, sendo esse um ponto que gosto para dar um final feliz à obra, Ico seria como uma uma redenção a Wander, que não só mata a Rainha, destruindo assim Dormin de uma vez por todas, embora continue amaldiçoado, e salvando Yorda, que seria uma reencarnação de Mono, e assim, encontrando finalmente a paz de um herói. 

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