Homem-Aranha De Volta ao Lar - O Início da Fase JMS e a Mudança na Mitologia
A origem do herói aracnídeo é, com certeza, uma das mais conhecidas. Você pode nunca ter visto um filme, lido um quadrinho ou assistido uma animação do teioso, mas muito provavelmente já ouviu do indivíduo que ganhou poderes pela picada de uma aranha. Bem, uma explicação mais aprofundada: O jovem Peter Parker, um pária e nerd, vai até uma exposição científica, e lá, uma aranha é acidentalmente irradiada, e aleatoriamente cai sobre a mão de Peter que, após uma picada, ganha poderes. Isso é o que havia sido estabelecido por décadas; até que J. Michael Straczynski veio e desbancou tudo.
A história que se inicia na edição 36 da segunda série de Amazing Spider-Man, De Volta Ao Lar, começa em um momento de drama na vida de Parker: separado de Mary Jane, sem falar com Tia May, e desempregado, ele apenas sai pela cidade como Aranha e derruba um prédio (sim, ele faz isso aos murros). Logo, no entanto, seria apresentada uma grande reviravolta no status quo do Homem-Aranha, que ocorre quando esse se encontra com Ezekiel Sims, um idoso com poderes iguais aos dele: os poderes que Peter adquiriu não foram mero acaso, mas sim destino, e há uma origem sobrenatural e totêmica para eles. Além disso, Ezekiel revela uma ameaça para a vida do herói na forma do vilão Morlun, um vampiro que drena as energias de avatares totêmicos como Peter.
Além dessa mudança de grande importância no cânone do herói, onde percebemos que o único motivo de tantos vilões do herói usarem animais como bases é devido a essas forças totêmicas, outras mudanças em seu status quo são iniciados nessa história. Ao invés de continuar com seu emprego de fotógrafo freelancer, Peter passa a lecionar como professor de biologia em sua antiga escola, Midtown High, e a frágil Tia May descobre que seu sobrinho, que ela sempre mimou em exagero, é o destemido Homem-Aranha. Essas mudanças representam algo que se perdeu nas HQs do personagem, e sobre o qual irei tratar melhor posteriormente: a falta de medo de arriscar.
Buscando atrair novos leitores, Straczynski, com ajuda do desenhista Jonh Romita Júnior (JRJR), que contribui com um belo traço, o personagem do Homem-Aranha passou por uma reinvenção extremamente necessária, deixando sua zona de conforto e sendo muito mais original que muitas coisas feitas na década de 90. É isso que faz dessa história uma das minhas favoritas do teioso.

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