A arte de Akira Toriyama - Um Mestre Mangaká
Quando criança, minha mãe não me permitia assistir à animação Dragon Ball. O que era uma lástima: sempre me interessei em ver aqueles homens cabeludos ganhando transformações cada vez mais apelonas (e, no processo, mais cabelo) e lutando entre si. Agora, vejo que a animação em si não me interessa devido ao seu ritmo lento que estende tramas por um tempo, em minha mente ocidental, longo demais. Mas uma coisa que sempre vai me chamar atenção para essa obra é sua arte, um traço único que é possível ser reconhecido em qualquer obra que seu autor trabalhe. Esse traço pertence à Akira Toriyama, tema da análise de hoje.
Tratando-se de Toriyama, a preferência é que iniciássemos comentando sobre Dr. Slump, sua primeira obra serializada, mas prefiro pular as preliminares e ir logo para a nata: Dragon Ball. No início da obra, muito de Dr. Slump era visível, e a série, até por centrar mais na aventura e comédia do que na ação, tinha um estilo de arte que destoava com outros Shonens: ao invés de utilizar personagens com feições sérias, músculos exagerados e coisas do tipo, Toriyama optou por utilizar um estilo que pendia mais para o Chibi: uma coisa muito perceptível, inclusive, é que o autor brinca com as proporções de seus personagens, alterando-os hora ou outra, e mudando as proporções entre as diversas partes do corpo de Goku e companhia. Isso é visível até mesmo posteriormente na série, como se vê na imagem à seguir:
Embora Vejeta seja um personagem claramente baixinho, a exploração de Toriyama com as proporções fez com que, em sua primeira aparição, o Príncipe dos Sayajins tivesse pernas e braços curtos e fortinhos, destoando com a cabeça de proporções exageradas. Essa característica é uma das mais importantes da arte do autor, e que, embora tenha se reduzido no decorrer de Dragon Ball (até que, no fim, os personagens musculosos se tornaram predominantes e o chibi ficou um pouco mais de lado), voltou a ser extremamente usado pelo autor, que depois também publicou obras que usam e abusam das mesmas técnicas.
Imagens dos mangás Jaco, the Galactic Patrolman, e Sandland, respectivamente
Outras obras que também tem artes de Toriyama são a franquia de games Dragon Quest, que serve perfeitamente como exemplo da arte inicial exageradamente chibi do autor, Chrono Trigger, Kajika, entre outros. Recentemente, os dotes artísticos de Toriyama foram duramente questionados por fãs de Dragon Ball após este desenhar ilustrações levemente mal feitas dos personagens da franquia.
A verdade, no entanto, é simples: Toriyama simplesmente optou por desenhar os personagens dessa maneira, simplesmente porque ele não vê mais necessidade de trabalhar de maneira exaustiva fazendo artes promocionais de obras que ele já concluiu. Inclusive, o mangá Jaco, the Galactic Patrolman é recente, e não há nenhum problema em sua arte.
Concluo esse texto dizendo que a arte de Toriyama é uma das mais influentes dentro e até mesmo fora do circulo de gibis japoneses (isso otakus, gibis, chorem de raiva), inclusive influenciando o estilo de desenho deste que vos escreve. Logo estarei publicando uma mini galeria com desenhos do autor, bem como análises de outros artistas de quadrinhos e mangás.





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